Ontem, dia 26 de abril de 2016 tive oportunidade de participar do primeiro dia do evento sobre inovação promovido pela Pró-Reitoria de Extensão, Pesquisa e Inovação do Instituto Federal do Paraná. O evento trata da inovação e da constituição dos Núcleos de Inovação Tecnológica nos Campus do IFPR. O espaço é locus privilegiado para a interdisciplinaridade, uma vez que possibilita que servidores com as mais variadas formações possam locupletar-se e embebedar-se com as inúmeras possibilidades de inovar e empreender, o que poderá viabilizar, em um futuro próximo,  uma esteira institucional que incorpore, de uma vez por todas, a inovação nas pautas pedagógicas e de formação para o mundo social do trabalho. Os debates e as apresentações mostraram que ainda existe um caminho longo pela frente, não no sentido de criar os mecanismos burocráticos e viabilizar este órgão dentro do nosso organograma, mas sim no sentido do entendimento do que é inovação e como ela deve ser abordada pela comunidade do IFPR. A primeira palestra, com entendimento dos elementos conceituais do tema, não abriu a possibilidade de enxergar a inovação para além do mercado e da movimentação financeira de todos os processos que envolvem o fazer docente. Isso deve ser combatido, uma vez que a inovação está presente no nosso cotidiano e deve servir para o benefício da comunidade ou de qualquer recorte espacial que seja, não se prendendo apenas à geração monetária,  mas incorporando produções de Tecnologias Sociais,  gerando benefícios diretos em uma metodologia ou forma de fazer algo. Em outras palavras, precisamos comer o bolo: para isso, é necessário criar formas eficientes de faze-lo; inovar na forma da escolha dos ingredientes; inovar nas estratégias para assar o bolo, talvez mais rápido,  talvez com outras tecnologias. Acima de tudo, temos que inovar nas formas que nos ajudem a COMER o bolo e não VENDER o bolo! Vender o bolo pode estar na pauta, mas antes precisamos matar a nossa fome. Nossos estudantes precisam inovar nas formas de aprender para depois inovar e produzir tecnologias para o tão “desejado” mercado. Nossos servidores precisam, acima de tudo, entender a concepção da nossa escola e saber a que ela veio, para depois debater a inovação para ganhar dinheiro. Fiquei estarrecido quando,  no contexto do debate sobre a referida palestra,  a única alternativa que proferiram foi de inovar para ganhar dinheiro e produzir riquezas para quem inovou! Não!!! O preço da inovação é o retorno direto à comunidade escolar, em termos de desenvolvimento social e socioespacial da escola, da comunidade, dos estudantes,  da cidade… Viabilizar educação de qualidade para os trabalhadores e seus filhos é inovação em um país que sempre a forneceu, às custas do trabalhador e do Estado,  para as elites deste país; fomentar formas de permanência do estudante pobre na escola é inovação e o retorno que deveremos receber por este trabalho é ver o estudante resgatado das drogas e de todas as outras vulnerabilidades possíveis e vê-lo formado para enfrentar as dinâmicas da sociedade e, por consequência,  o mundo social do trabalho e não o “mercado de trabalho”! Mas, e o dinheiro? O servidor recebe seu salário mensalmente pelos trabalhos prestados à sociedade. Eliminar os vestibulares e viabilizar as vagas públicas por sorteio, resguardando cotas para todas as classes e setores da sociedade é inovação uma vez fornecer educação pra quem já sabe, que é o que ocorre com as grandes universidades é facil – há uma seleção positiva dos estudantes, que estudam por conta e sempre tiveram condições e oportunidades -, para estes é só dar a referência e eles vão ‘por conta’. Quero ver colocar estudantes de todas as classes, com todas as vulnerabilidades possíveis em um mesmo ambiente e buscar nesta conjuntura, o encantamento e a aprendizagem! Daí sim inovamos. Queria ter visto neste debate uma nova ótica sobre o conceito, o que só foi possível  na mesa redonda seguinte. Um poema! Docentes de diversas instituições apresentaram novas formas de inovar: economia solidária,  tecnologias sociais e resgate de comunidades deprimidas. Fiquei feliz e senti meus argumentos acima contemplados. Eu ouvi que, a despeito das cabeças burocráticas e em caixinhas de sapato dos legalistas e administradores, que, se o “metodo é o caminho, o caminho se faz caminhando”, ou seja, os padrões e estruturas estabelecidas não dão conta de viabilizar a nossa missão: precisamos “inovar nas formas de inovar”; ao invés de competir, agrupar pessoas; ao invés de pensar na inovação para ganhar dinheiro, o que não deve ser negado mas visto com cautela, pensar na inovação para viabilizar bens de consumo coletivo; que a tecnologia deve ser construída “com” a comunidade e não apenas “para” a comunidade; deve servir para a inclusão social; deve promover a emancipação do sujeito; deve transferir o domínio da tecnologia para a comunidade; a inovação precisa ser centrada nas pessoas e não no dinheiro, que será apenas consequência de uma construção social; enfim, estabelecer um debate “para uma outra inovação”. O discurso recorrente já é praticado por instituições criadas sob medida para este fim, como por exemplo o Lactec, Tecpar, as incubadoras, o INPE, entre outras. O IFPR tem que inovar, mas respeitando sua missão e função social.